Breve história do samba por aristas cearenses numa entrevista com Nelson Augusto

  • 26/10/2026

Breve história do samba por aristas cearenses numa entrevista com Nelson Augusto
  • 1)Quais as origens do samba aqui no Ceará? Quando se deu o instante inicial do contato entre a cultura musical local e o ritmo?
  • No que se refere ao disco de um compositor popular cearense, nas composições de José Ramos Filho (1871-1916), não constavam a denominação samba. Ramos Cotoco, seu nome artístico, faleceu um ano antes do registro oficial do primeiro samba, “Pelo Telefone”, em 1917, apesar do pesquisador cearense Nirez não concordar com o fato histórico e tenha no seu acervo, gravações que provam o contrário. Então, na curta, mas importante obra do compositor alencarino, com atmosfera de cançonetas, chulas, lundus e valsas, algumas criações foram gravadas pelo cantor Baiano, um dos principais intérpretes da mais importante gravadora do Brasil no início do século XX, a Casa Edson.

  • 2)Quais os principais nomes de artistas solo e grupos que despontaram/despontam na seara na Capital, tanto antigamente quanto na contemporaneidade?
  • No ano de 1937, o compositor cearense Lauro Maia venceu o concurso musical no Rio de Janeiro, no quesito sambas, do jornal carioca O Povo com sua criação “Eis Meu Samba”. Mesmo morando ainda em Fortaleza, Lauro Maia, conseguiu gravações em disco no Rio de Janeiro com outros gêneros musicais pelo grupo cearense Quatro Azes e Um Coringa com “Eu Vi Um Leão” (1942), e “Fan Ran, Fun Fan” e “Trem de Ferro”, as duas de (1943), ano que também teve seu samba “Febre de Amor” gravado por Orlando Silva. O Cantor das Multidões também registrou “Samba de Roça”, parceria de Lauro Maia com seu cunhado Humberto Teixeira, em 1945. Nesse ano, Lauro vai residir no Rio de Janeiro, e em 1946 já tem o samba “Deus Me Perdoe”, também em parceria com Humberto Teixeira, cantado num 78 rpm por Ciro Monteiro.
  • Ainda nos anos 40 os alencarinos Gilberto Milfont e os grupos Quatro Azes e Um Coringa e Vocalistas Tropicais seguiram a tradição cearense do samba na MPB gravaram vários clássicos do gênero. Dick Farney gravou em 1946 o samba “Esquece” do cantautor de Lavras da Mangabeira, Gilberto Milfont. Esse registrou com sucesso no mesmo ano, os sambas “Aquela Mulher” e “Apelo”, ambas da conceituada dupla Pedro Caetano e Claudionor Cruz. Em 1950, Milfont cantou em disco o seu maior hit no samba, o carnavalesco “Prá Seu Governo”, de Haroldo Lôbo.
  • Outro grupo, o Trio Nagô, que destacou Evaldo Gouveia para a MPB, continuou a tarefa do samba pelos cearenses na década de 50. Entre outros, colocaram em discos, samba de nordestinos “Aquarela Cearense” (53) do conterrâneo Waldemar Ressurreição; e “Vive Seu Mané Chorando” (55) do maranhense Luiz Assunção. Ainda nos anos 60, Evaldo colaborou com o samba em “Garota Moderna” (65), no suíngue de Wilson Simonal; e “O Conde” (69), imortalizado por Jair Rodrigues. Na década seguinte, apesar de continuar suas parcerias românticas com o letrista capixaba Jair Amorim, o cearense de Iguatu também se aventurou numa nova seara: o samba-enredo. A dupla foi a grande vencedora em 1973 do concurso da agremiação carioca Portela com “O Mundo Melhor de Pixinguinha”. Na mesma escola de samba, repetiram a façanha em 1977 com “Mulher à Brasileira”.

3) E quanto ao interior do Estado: como se desenvolveu a história do samba por lá? Quais grupos ainda estão na ativa e qual é a recepção do público frente à apresentação deles?

No que se refere ao aspecto do samba, podemos afirmar que os artistas que possuem alguma ligação com o samba, no interior do Ceará, ou vieram morar em Fortaleza, ou migraram para o sul do País como podemos citar os cantores e compositores Evaldo Gouveia, de Iguatu e Gilberto Milfont, de Lavras da Mangabeira. Embora, já a partir dos anos 80 possamos citar escolas de samba em algumas cidades, com destaque para as agremiações em Sobral, as quais já gravaram alguns discos autorais

  • 3)Para além da parte conceitual e histórica, queremos construir uma linha do tempo em que possa constar os principais momentos do samba no Estado. Se pudéssemos traçar esse caminho, quais datas, nomes e acontecimentos foram mais decisivos para a consolidação do gênero por aqui até hoje?

Em proporção menor, mas, mantendo a tradição do samba no carnaval como a matriz no Rio de Janeiro, aqui em Fortaleza, as agremiações carnavalescas também existem desde a década de 30 e podemos citar a Prova de Fogo, Escola de Samba Luiz Assunção e a Espaia Brasa, entre outras, já extintas, além das outras que ainda continuam desfilando no carnaval até os dias de hoje.

No final da década de 70 e início dos anos 80 destaco também aqui em Fortaleza o Grupo Harmonia, cujos integrantes como o cavaquinista Mário Luiz e o baixista Nélio Barros, ainda continuam atuando no cenário da música. Em paralelo, podemos citar nessa época, o surgimentos dos espaços dedicados ao samba, os quais se tornaram mais conhecidos o Bar da Mocinha, a qual sempre ia desfilar nas escolas cariocas e o Bar do Zé Bezerra, no Parque Araxá. Apesar do falecimento dos fundadores, até hoje os descendentes continuam a manter as reuniões musicais até hoje. Mais recentemente, também surgiu o Bar do Seu Roberto, no Monte Castelo, no qual os sambistas se reúnem no final de semana e o Bar do Assis, na Gentilândia, cujas reuniões acontecem com sucesso de público, nas noites de terça-feira com o grupo Chorando e Cantando..

5) Na sua visão, o samba é um gênero que se revitaliza em solo cearense? O trabalho dos grupos dão conta de dar uma nova cara a ele ou mantêm um espírito mais tradicional? Como você observa esse movimento?

É claro que essa tradição do samba sempre está presente até os dias de hoje, também no Ceará.

Dos integrantes do Pessoal do Ceará, na cena sambista Ednardo, que gravou de sua autoria em 1978 “É Cara de Pau”. Fagner cantou em dueto com Zico em 1983 num compacto simples que também traz a carnavalesca “Batuquê de praia”, o samba “Cantos do Rio”, de Petrúcio Maia. O cantor de Orós em seu LP de 1985 divide os vocais com a carioca Beth Carvalho em “Te Esperei”, dos baianos Gereba e Capinam. Amelinha, no álbum Caminhos do Sol, de 1985, interpreta “Samba Enredo Para um Grande Amor” de Luiz Carlos da Vila.

Um disco coletivo lançado em vinil, no fim dos anos 80, reuniu alguns grupos de samba da Cidade. Nele, já se revelava com destaque o cantor e compositor Carlinhos Palhano. Além de Carlinhos, destacamos hoje David 7 Cordas, Ciribáh Soares, Academia, Policarpo e a Estrela de Madureira, Messias Castro, Leandro Rodrigues, Paulinho Brasil, Malena Monteiro, Gabriela Nunes, Marina Cavalcante, Samba de Rosas, Márcio Vianna, Vilmar Santos, Pasconith Franklin, Antonio Daniel, Damas Cortejam, Thais Costa Lima, Fernanda Farias, Michele Matheus, Lorena Lucena Tôrres, o grupo Manequim 50, Dragões do Samba e Danielly Ferreira, entre outros. Vale salientar também o Nosso Samba, coletivo que reúne os sambistas de Fortaleza, os quais também fazem suas celebrações do Dia Nacional do Samba, anualmente no 2 de dezembro, na Praça da Gentilândia, Mercado dos Pinhões e na Praça do Ferreira. 


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes